Liberais boicotam primeira sessão de constituinte egípcia
Liberais boicotam primeira sessão de constituinte egípcia
DA EFE, NO CAIRO
A Assembleia Constituinte egípcia celebra nesta quarta-feira sua primeira sessão com o boicote de um quarto dos cem parlamentares, entre eles os integrantes das forças liberais como o partido Al Wafd, terceiro bloco parlamentar no país, que anunciou sua reiterada do comitê.
A assembleia elegeu por aclamação como presidente o chefe da Câmara Baixa egípcia, o islamita e dirigente da Irmandade Muçulmana Saad Katatni, em reunião com a presença de somente 74 de seus membros.
A Assembleia Constituinte designou também seus comitês internos, que redigirão a minuta da nova Constituição egípcia.
A sessão inaugural ocorre em meio à polêmica sobre a formação da assembleia, depois que o Parlamento – dominado pelo PLJ (Partido Liberdade e Justiça), braço da Irmandade Muçulmana, e pelo salafista Al Nour – aprovasse que a metade do comitê será formada por deputados.
A decisão levou cerca de dez partidos liberais a retirarem-se da Assembleia Constituinte e a pedirem a reforma de seus critérios de formação, para que seja mais representativa de todas as partes da sociedade egípcia.
A última força a tomar essa decisão foi o partido nacionalista egípcio Al Wafd, terceiro mais representado no parlamento, que anunciou nesta quarta-feira sua retirada.
Yasser Hassan, porta-voz dessa formação e membro da Executiva, explicou que “as constituições são elaboradas com consenso e não através da maioria política parlamentar, porque é um documento que corresponde a todas as categorias sociais”.
Para que seu partido retorne à Assembleia Constituinte, esse comitê deveria respeitar o documento pactuado com a instituição religiosa sunita de Al-Azhar, e outro texto aprovado pela Aliança Democrática (coalizão de partidos da qual fazia parte a Irmandade Muçulmana), acrescentou Hassan.
As duas declarações públicas, divulgadas em agosto, foram assinadas pela maioria dos partidos egípcios e defendem que o país seja um Estado civil e não religioso, aberto a todos as componentes da sociedade egípcia.
A elaboração de uma nova Constituição é um dos passos fundamentais no processo de transição iniciado no Egito, que deverá ser coroado com a escolha de um novo presidente da República, nas eleições convocadas para os próximos dias 23 e 24 de maio.