Indígenas se opõem à doutrina da descoberta e à economia verde

Indígenas se opõem à doutrina da descoberta e à economia verde

 

As discussões do 11° Fórum Permanente de Assuntos Indígenas da ONU entrarão nesta quarta (9) em sua terceira jornada com crescentes críticas ao conceito de economia verde por seus efeitos prejudiciais sobre a Mãe Terra.

 

Desde o início da reunião na segunda-feira, os mais de dois mil delegados de comunidades autóctones do mundo inteiro concentram seus debates no impacto da chamada doutrina da descoberta sobre as comunidades nativas.

 

“Os conquistadores europeus usaram a cruz e a espada para impor sua doutrina de um deus e um rei, obtiveram o aval do papa para cristianizar os indígenas e criaram a noção de raças superiores e inferiores”, denunciou a aimara chilena Hortencia Hidalgo.

 

“Essa foi a cruel origem do capitalismo”, apontou a representante do bloco latino-americano no fórum, ao mesmo tempo em que denunciou as corporações multinacionais que priorizam economias baseadas na indústria extrativista, especialmente nos setores de petróleo, água e madeira.

 

“Eles invadiram os territórios indígenas, violaram de maneira sistemática os direitos de seus povos, são os responsáveis pela mudança climática e agora falam de economia verde só para continuar com suas políticas de pilhagem da Mãe Terra”, assegurou.

 

A aborígene latino-americana afirmou que o novo deus é o livre mercado e exigiu que a ONU garanta aos povos indígenas o exercício de seus direitos à autodeterminação.

 

Entre eles, mencionou o direito relacionado ao consentimento livre, prévio e informado sobre os problemas que os afetam, incluídas suas terras e recursos e os programas de desenvolvimento sustentável que afetam suas comunidades.

 

A sessão anual do fórum tem como tema principal “A doutrina da descoberta e sua repercussão duradoura nos povos indígenas e o direito a receber indenização por conquistas do passado”.

 

O ponto faz parte da Declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, adotada em setembro de 2007 pela Assembleia Geral e que reconhece a indenização que merecem essas comunidades como vítimas da conquista. O encontro também tratará de definir ações coordenadas dos povos indígenas frente à Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) que será realizada no Rio de Janeiro no próximo mês.

 

Fonte: Prensa Latina

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=182777&id_secao=10

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