Greve no porto de Santos enfraquece, mas não acaba

Greve no porto de Santos enfraquece, mas não acaba

AGNALDO BRITO
DE SÃO PAULO

Uma liminar contra a greve dos estivadores, obtida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), enfraqueceu o movimento no porto de Santos. A categoria não cumpriu, pelo menos até a tarde desta quinta-feira, os 70% da força de trabalho exigidos pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo.

Uma parte dos estivadores –que trabalha dentro do navio– e da capatazia –que trabalham em terra– tentou boicotar a escala de trabalho das 13h.

O OGMO (Órgão Gestor de Mão de Obra), o RH do porto, apresentou 588 requisições para o trabalho no cais e nos navios às 13h, mas conseguiu escalar apenas 196 trabalhadores avulsos. Na primeira requisição do dia, às 6h, das 586 requisições, 301 foram atendidas.

Segundo Glaucio Araújo de Oliveira, procurador do trabalho e coordenador nacional do trabalho portuário, os sindicatos tentaram atrapalhar o engajamento de trabalhadores nos postos de recrutamento do OGMO no porto. A operação teria dado resultado, já que menos do que os 70% dos trabalhadores exigidos pela liminar se engajaram nas ofertas feitas pelos terminais portuários.

Segundo o procurador, a disputa não tem relação com as 11 horas de descanso entre jornadas exigidas pelo Ministério Público. “Essa é uma questão lateral”, disse e completa: “O que ocorre no porto é uma disputa por poder. Os sindicatos não querem perder o direito de indicar pessoas ligadas à entidade aos melhores postos de trabalho. O que ocorre agora é que essas escalas são feitas de forma eletrônica, sem a ingerência do sindicato. No fundo é essa a briga”, diz Oliveira.

A reportagem da Folha tentou falar com os sindicatos dos estivadores e da capatazia, mas não conseguiu falar com nenhum líder.

Em razão dos problemas na escala das 13h, o MPT informou que pediria apoio da Polícia Militar para evitar qualquer tentativa de constranger a opção dos avulsos às ofertas de trabalho no recrutamento que ocorreria às 19h.

Neste recrutamento das 19h o sindicato organizou uma mobilização no local onde são feitas as contratações. Houve confusão e um estivador foi esfaqueado. Além disso, o procurador Oliveira informou que recebeu ameaças de morte por meio do Facebook, postadas por membros do sindicato. Ele afirmou que irá apresentar uma queixa-crime na Polícia Federal amanhã contra lideranças do sindicato.

A reportagem não conseguiu contato com os líderes sindicais.

A estatal Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo) informou que dos 33 navios atracados em Santos, apenas três não estavam sendo atendidos. Havia até o início da noite, 28 navios fundeados, aguardando autorização para entrar no porto.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1098609-greve-no-porto-de-santos-enfraquece-mas-nao-acaba.shtml

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