Estudantes da USP realizam ato-debate para apoiar professores

Estudantes da USP realizam ato-debate para apoiar professores

 

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) se reúnem na quinta-feira (15), às 14h, no Ato-debate por Democracia na USP, em frente à Reitoria da  universidade. Nesse dia, está prevista a paralisação das aulas. A atividade acontece para apoiar o Manifesto pela Democratização da USP, assinado por 231 professores, e reivindicar a devolução do espaço do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

O DCE ocupado foi fechado pela reitoria durante as férias. O ato será no mesmo formato da aula realizada no ano passado no vão do MASP, com a presença de professores, funcionários e e apoiadores.

 

A realização do ato foi decidida em uma assembleia geral dos estudantes da USP, que reuniu cerca de mil participantes, na quinta-feira (8), e também aprovou a paralisação das atividades estudantis. A segunda assembleia dos estudantes, neste ano, está marcada para terça-feira (20), às 18h, no vão dos prédios dos cursos de História/Geografia.

 

No ano passado, os estudantes da universidade já deram uma verdadeira “aula de democracia” através de sua mobilização. Neste ano a disposição continua! Venha para a assembleia discutir os próximos passos do movimento.

 

Algusn professores confirmados: Chico de Oliveira, Ricardo Musse, Otaviano Helene, Susana Salém, Adrián Fanjul.

 

Manifesto

 

O manifesto dos professores, estudantes, intelectuais, perseguidos e ex-presos políticos da ditadura militar (1964-1984) foi lançado no dia 1º de março no Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

 

O documento chama a atenção para as práticas do atual reitor da USP, João Grandino Rodas, que, segundo os ativistas, são semelhantes às desenvolvidas pela Instituição na época do regime militar. Entre os que assinaram, está a família de Zuzu Angel.

 

Desde o dia 8 de novembro, os estudantes da USP protagonizam uma grande movimentação no campus Butantã contra a repressão e a presença da Polícia Militar na Cidade Unviersitária. Acesse aqui especial do Brasil de Fato sobre repressão na USP).

 

Conheça abaixo o manifesto:

 

Manifesto pela Democratização da USP

www.democraciausp.blobspot.com

 

Nós, perseguidos pelo regime militar, parentes dos companheiros assassinados durante esses anos sombrios e defensores dos princípios por eles almejados assinamos este manifesto como forma de recusa ao monumento que está sendo construído em homenagem às chamadas “vítimas de 64” na Praça do Relógio, Cidade Universitária, São Paulo.

 

Um monumento na USP já deveria há muito estar erguido. É justo, necessário, e precisa ser feito. Porém, não aceitamos receber essa homenagem de uma reitoria que reatualiza o caráter autoritário e antidemocrático das estruturas de poder da USP, reiterando dispositivos e práticas forjadas durante a ditadura militar, tais como perseguições políticas, intimidações pessoais e recurso ao aparato militar como mediador de conflitos sociais. Ao fazer isso, essa reitoria despreza a memória dos que foram perseguidos e punidos pelo Estado brasileiro e pela Universidade de São Paulo por defenderem a democratização radical de ambos.

 

Esse desprezo pela memória dos que sofreram por defender a democracia, dentro e fora da Universidade, se manifesta claramente na placa que inaugurava a construção de tal monumento. A expressão “Vítimas da Revolução de 1964” contém duas graves deturpações: nomeia de “vitimas” os que não recearam enfrentar a violência armada, e, mais problemático ainda, de “revolução de 1964” o golpe militar ilegal e ilegítimo.

 

Essa deturpação da linguagem não é, portanto, fortuita. Resulta da ideologia autoritária predominante na alta cúpula da USP.

 

Durante a ditadura, essa ideologia autoritária levou a direção central da USP a perseguir, espionar, afastar e delatar muitos dos que então resistiam à barbárie disseminada na Universidade e na sociedade brasileira como um todo. Ainda macula a imagem desta Universidade a dura lembrança (i) dos inquéritos policiais-militares, instaurados com apoio ou conivência da reitoria; (ii) das comissões secretas de vigilância e perseguição; (iii) das delações oficiais de alunos, funcionários e professores para as forças de repressão federais e estaduais; (iv) da mobilização do aparato militar na invasão do CRUSP e da Faculdade de Filosofia em 1968; (v) da colaboração quase institucional da USP, na figura do seu então reitor, Luis Antonio Gama e Silva, na redação do Ato Institucional Número 5 – AI5; (vi) e da aprovação, por Decreto, do regimento disciplinar de 1972, que veda a docentes e discentes qualquer forma de participação política e confere à reitoria poder para perseguir os que o fazem.

 

Atualmente, essa mesma prática autoritária se manifesta não apenas na inadmissível preservação e utilização do regimento disciplinar de 1972 para apoiar perseguições políticas no interior da Universidade, mas também (i) na reiterada recusa da administração central da USP em reformar o seu estatuto antidemocrático, mais afeito ao arcabouço jurídico da ditadura militar do que à Constituição Federal de 1988; (ii) na forma pouco democrática das eleições dos dirigentes da USP, que assume sua forma mais absurda no processo de escolha do reitor por meio de um colégio eleitoral que representa menos de 1% da comunidade universitária; (iii) na ingerência do governo do Estado na eleição do reitor desta Universidade; (iv) e, mais grave ainda, na recorrente mobilização da força policial-militar para a resolução de conflitos políticos o interior desta universidade, tal como ocorreu, recentemente, na desocupação da reitoria da USP.

 

Nesse sentido, em memória dos que combateram as práticas da barbárie autoritária e suas manifestações, defendemos que a melhor forma de homenagear os muitos uspianos e demais brasileiros que tombaram nesta luta não é um monumento; mas, sim, a adoção dos princípios verdadeiramente democráticos em nossa Universidade, o que demanda o fim do convênio com a Polícia Militar, bem como o fim das perseguições políticas pela reitoria e pelo Governo de São Paulo a 98 estudantes e 5 dirigentes sindicais, através de processos administrativos e penais, e a imediata instauração de uma estatuinte livre, democrática e soberana, eleita e constituída exclusivamente para este fim.

 

Confirme presença na página do ato  aqui.

 

Acesse e compartilhe a Ata da Assembleia Geral do dia 08 de Março  aqui

 

Com informações do DCE Livre da USP e USP em Greve

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=177966&id_secao=8

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